DPSE encerra Agosto Lilás com ações do projeto “Voz Delas” no Prefem

A informação que orienta, o acolhimento que escuta e a oportunidade de recomeçar. Foi com esse propósito que a Defensoria Pública de Sergipe (DPSE) encerrou a programação do Agosto Lilás com uma série de atividades do projeto “Voz Delas: Acolher para Transformar”, realizadas nos dias 24, 25 e 26, no Presídio Feminino (Prefem), em Nossa Senhora do Socorro. Mais de 30 internas participaram das ações, que reuniram orientação jurídica, rodas de conversa, oficinas de psicologia, dinâmicas e atendimento social.

A iniciativa levou para dentro do sistema prisional discussões sobre violência contra a mulher, direitos, autoestima, identidade, perspectivas de futuro e acesso a políticas públicas, reafirmando que a proteção e a promoção dos direitos das mulheres devem alcançar também aquelas que estão privadas de liberdade.

A defensora pública, Juliana Falcão; o diretor do Núcleo de Execuções Penais, defensor público Anderson Amorim Minas e a diretora do Prefem, Mônica Barreto, abriram o evento e destacaram a iniciativa da Defensoria Pública.

No primeiro dia, a programação contou com uma roda de conversa conduzida pela defensora pública, Juliana Falcão, com a participação da supervisora de Direito do Projeto Fortalecer, professora Joseane de Santana Nunes Bernardes, e da bolsista de Direito do projeto, Lícia Fátima da Silva Barreto. Durante o encontro, foram abordados os diferentes tipos de violência contra a mulher e realizadas dinâmicas de conscientização sobre direitos.

Para Juliana Falcão, levar informação e escuta para o ambiente prisional é também uma forma de fortalecer a autonomia e criar caminhos para a transformação. “O ‘Voz Delas’ nasce justamente da compreensão de que toda mulher precisa ter sua voz ouvida, seus direitos conhecidos e sua história respeitada. Dentro do sistema prisional, esse trabalho ganha uma dimensão ainda mais importante, porque muitas dessas mulheres carregam histórias de vulnerabilidade, violência e exclusão. Quando levamos informação, acolhimento e orientação mostramos que a Defensoria está presente e que os direitos continuam existindo, independentemente da condição em que essa mulher se encontra. O Agosto Lilás é um momento de reflexão, mas essa defesa precisa acontecer durante todo o ano”, destacou a defensora pública.

No segundo dia de atividades, as psicólogas do Centro Integrado de Atendimento Psicossocial (CIAPS), Syrlene Besouchet e Marília Correia, conduziram oficinas voltadas à identidade, autoestima, potencialidades e perspectivas para o futuro.

“Trabalhamos a identidade, autoestima, potencialidades e perspectivas do futuro, considerando que a psicologia vê a identidade e a autoestima como construções contínuas que nascem da nossa trajetória pessoal e modelam o uso dos nossos potenciais, definindo as perspectivas futuras por meio das vivências e experiências”, explicou Syrlene Besouchet.

O encerramento foi dedicado ao atendimento social com as assistentes sociais, Joanes Alves e Ellen Simões, que realizaram cadastros, orientações e esclarecimentos sobre benefícios sociais, além de abordarem questões relacionadas ao registro civil e outros direitos básicos.

“Tiramos dúvidas sobre benefícios sociais e registro civil, e destacamos a atuação do serviço social da Defensoria no sentido de acolher, identificar demandas e contribuir para o acesso aos direitos básicos. Além disso, realizamos uma roda de conversa com as internas para conhecer melhor a história e as necessidades de cada uma”, destacou Joanes Alves.

Ao final da ação, a defensora pública Juliana Falcão e a servidora Denise Sobral realizaram diligências e prestaram informações às internas sobre o andamento de seus processos, contribuindo para o esclarecimento de dúvidas e o acompanhamento da situação processual de cada uma.

A experiência foi marcada pelos relatos das internas, que encontraram nas atividades um espaço de informação, escuta e reflexão. “Foi um dia maravilhoso. Através das assistentes sociais, aprendi e obtive conhecimento de coisas que não tinha noção. O que mais gostei nesses três dias foi conseguir tirar muitas dúvidas sobre documentos e direitos que desconhecia, inclusive sobre o auxílio-reclusão”, relatou Rosemeire Severino.

Para Iris, a iniciativa deixou uma mensagem de esperança e a certeza de que poderá buscar apoio da Defensoria sempre que precisar. “Gostei de tudo nesses três dias, principalmente do autoconhecimento. O que mudou em mim foi a certeza de que hoje sei que posso contar com a Defensoria em qualquer situação que precisar. O que mais me emocionou foi a parte da psicologia, porque algumas coisas me tocaram profundamente durante as dinâmicas. Meu sonho é ter uma oportunidade para mudar, ser uma mãe melhor, presente, e longe do que me trouxe até aqui”, afirmou.

Além dos atendimentos e orientações jurídicas, as internas receberam lanches e chocolates acompanhados de mensagens de incentivo, como “Conhecer seus direitos é o primeiro passo para romper o ciclo e transformar sua vida” e “Você não está sozinha!”.

Por Débora Matos

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